O RELACIONAMENTO ENTRE EMPRESÁRIO E ADVOGADO

Durante uma das aulas de Business For Lawyers na University of Southern California (USC), tive a oportunidade de ler um artigo escrito pelo professor Larry Downes intitulado “First, Empower all the Lawyers”, que aborda uma questão relevante sobre a relação entre os empresários (CEO’s) e seus advogados.

No artigo, o professor Larry Downes critica o fato dos empresários, muitas das vezes, estarem afastados de seus advogados na tomada de decisões estratégicas sobre seus negócios; e o fato dos advogados geralmente serem muito cautelosos e acostumados a dizer não para novas oportunidades.

Para ele os advogados devem saber como utilizar as leis como uma estratégia para fazer negócios, ou seja, os advogados devem aconselhar seus clientes na tomada de decisões e não apenas dizer a eles o que não se deve fazer apenas para ficar seguro.

O professor conclui expondo que no mundo atual as questões legais são, talvez, a última fonte de vantagem competitiva ainda não aproveitada pelo mundo dos negócios, e que os advogados desta nova era têm o dever de agir como estrategistas e assessorar seus clientes na tomada de decisões. Por outro lado, para que isso funcione, os empresários devem manter uma relação próxima com seus advogados (terceirizados ou não), incluindo-os em decisões financeiras e negociais e não apenas legais.

Concordo com o posicionamento do professor Larry Downes. Penso que o relacionamento próximo entre empresário e advogado, por serem complementares, trará frutos para as empresas.

Acredito que muitos empresários ainda veem seus advogados como um “resolvedor de problemas”. Contudo, os advogados podem e devem ser introduzidos nas chamadas “tomadas de decisão”.

Com isso, o advogado poderá fornecer uma outra visão sobre o negócio, sugerir alternativas, analisar os aspectos legais da operação, mensurar riscos, etc., dando ao empresário um cenário muito maior e amplo para que as decisões sejam tomadas.

Pessoalmente, penso que o advogado empresarial deveria ser utilizado sempre como um conselheiro de negócios, de forma preventiva, e não responsiva, como estamos acostumados a ver em nossa sociedade extremamente litigiosa.

Fonte: DOWNES. Larry. “First, Empower all the Lawyers”. Harvard Business Review. 2014.

Advogado Associado do Marques Filho Advogados. Especialista em Direito Tributário pelo IBET. Curso de pós-graduação em Fusões e Aquisições pelo INSPER. Curso de pós-graduação em Recuperação Judicial pelo INSPER. Cursando Master of Business Law na University of Southern California.

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